Mar 11 • 2M

Eu e o tempo

#85 Adotei, faz tempo, o tempo como aliado - eu e ele, juntos, enfrentamos quaisquer outros dois.

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Textos de ficção do autor Vitor Bertini
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Big Ben, 11 de março de 2022.

Olá.

Na escrita, como na vida, o tempo é um personagem poderoso. Só os tolos brigam com ele.

Entre alianças fortes, parágrafos rápidos, goles e beijos, boa leitura e bom fim-de-semana.


EU E O TEMPO

Em frente à minha casa tinha uma praça.

A Praça Pinheiro Machado - a Pracinha, fica na frente da casa onde passei minha infância e esse é seu nome, Praça Pinheiro Machado.

A Pracinha tinha uma área cercada, com instalações esportivas e um depósito cheio de bolas e redes; fora da cerca, lembro bem, existiam gramados, um pequeno posto de gasolina, uma cabine telefônica, uma figueira de sombra generosa, bancos de cimento e um colegiozinho com paredes coloridas. Tinha também um monumento dedicado a alguma data cívica e uma placa de bronze dizendo, temeroso respeito de todos nós, PROIBIDO PISAR NA GRAMA.

Adotei, faz tempo, o tempo como aliado - eu e ele, juntos, enfrentamos quaisquer outros dois.

Fazia tempo que eu não visitava a Pracinha. Fui lá: vandalizaram tudo, entristeceram a sombra, roubaram a placa de bronze e mataram a grama.

Mandei fazer uma nova placa: PROIBIDO PISAR NA ESPERANÇA. Eu e o tempo, juntos, ainda voltaremos à Praça Pinheiro Machado.

Vitor Bertini


São sinônimos de compartilhar (no sentido de tomar parte em algo): participar, coparticipar, comungar, aquinhoar.

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  • Esta história, pena, é quase uma ficção;

  • Mensagem na garrafa: você que chegou até aqui por curiosidade, gosto ou preguiça, ajude o autor clicando em qualquer botão vermelho perdido por aí.


TAKE A PEEK

– Vejo que se sente como eu – disse o Sr. Enfield. – Sim, é uma história ruim, pois o meu cavalheiro era um sujeito que não tinha nada a ver com ninguém, era um homem realmente condenável, e a pessoa que assinou o cheque é o verdadeiro dono dos bens, também muito conhecido, um daqueles companheiros (o que é muito pior) que praticam o que chamam de caridade. É chantagem, acredito, algum homem honesto atolado até o nariz, que paga por alguma estripulia da juventude. Portanto, é de Casa do Chantagista que eu chamo o lugar com esta porta. Mesmo assim, como você sabe, isso está longe de explicar tudo – ele acrescentou.

O médico e o monstro, Robert Stevenson, Editora Principis, 2019

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